domingo, 24 de junho de 2007

O Mundo em mudança ...

Vivemos numa sociedade caracterizada por rápidas mudanças. Acho interessante a metáfora de Toffler (“A terceira vaga”, Livros do Brasil) quando considera que as grandes alterações registadas ao longo da história ocorreram de acordo com três ondas civilizacionais. Nesta perspectiva estamos hoje em plena 3ª vaga, dominada pelo desenvolvimento (e poder) da informação.

Diversidade e novidade são duas variáveis presentes no processo de mudança das sociedades. Na “era da informação” é interessante verificar que a diversidade e a novidade também atingiram os media, acrescentando novas dimensões às já existentes, graças à informática, às telecomunicações e à sua combinação com o avanço tecnológico no domínio do audio-visual. Esta alteração aumentou o ritmo da mudança e teve vários efeitos dos quais se destacam a criação de um tecido nervoso à escala mundial, por onde circula cada vez mais informação a um ritmo crescente; generalização dos self-media; e a emergência do multimedia, como resultante sinergética dos efeitos sistémicos dos media existentes.

Edgar Morin, em “As grandes questões do nosso tempo”, chamou de “nevoeiro informacional” ao conjunto de três filtros que nos impedem de visibilizar convenientemente a sociedade. Estes filtros são o excesso de informação (veja-se por exemplo o crescimento do número de livros, jornais, revistas nos últimos anos); a sub-informação a e pseudo-informação.

De facto, na actualidade e na sociedade de informação em que vivemos, constata-se que grande parte da informação que chega aos cidadãos é veiculada pelos media. As regras pelas quais estes se regem são também regras de competitividade comercial (como a publicidade ou as audiências), ou mesmo outras menos nobres de condução de massas. No entanto toda essa informação acaba por “passar” pelas mentes dos indivíduos. A capacidade de selecção da informação a reter não é igual para todos. Tenhamos também a consciência de que, da informação veiculada em catadupa por um qualquer órgão de imagem e som, só uma parte muito pequena fica retida. A única forma, então, de gerar uma efectiva mudança de atitudes será através de um processo duradouro, cuidado e adaptado às atitudes e aos comportamentos que se deseja incutir, bem como à população alvo.

O processo de aprendizagem deve ser preferencialmente orientado para os valores e não para os dogmas. Mas como fazer?

Por sua vez, considero que o tal “nevoeiro informacional”, nas suas 3 componentes, pode influenciar o debate e as acções sobre o ambiente, veja-se o caso das alterações climáticas:


As alterações climáticas são hoje em dia um dos principais problemas sociais do séc. XXI e, como tal, a maioria da população reconhece a existência dele e a necessidade de resolução. O Protocolo de Quioto é um bom instrumento a nível mundial para combater este problema. Um dos países que não assinou este acordo foi o EUA em boa parte devido aos fortes interesses da indústria do petróleo. As três componentes do tal “nevoeiro informacional” estão neste caso presentes: por um lado existe um excesso de informação sobre o assunto, o que pelo menos teve a vantagem de fazer com que uma maioria muito significativa da população reconheça este problema; mas por outro lado, são poucas as pessoas que sabem efectivamente o que fazer para o combater, ou do ponto de vista dos políticos/decisores muitas vezes não conhecem a realidade do seu próprio país. Em simultâneo existe muita informação falsa, por exemplo, há quem defenda que as alterações climáticas não passam de uma mera teoria de algumas “mentes”, tentando fazer passar a ideia que o consumo de petróleo/combustíveis fósseis não tem relação com o problema em causa.

Enfim, nos últimos anos, parece generalizada a ideia de que a Escola não formou adequadamente, em termos ambientais, os cidadãos que se encontram hoje em idade activa, sendo notória a necessidade de preparar as crianças e os jovens no sentido de um desenvolvimento sustentável.

Em certa medida, a sociedade portuguesa está numa situação em que é possível verificar a coexistência da 2ª e da 3ª vaga de Toffler. Por outras palavras, existe ainda uma parte considerável da população que tem uma posição de alguma arrogância do Homem perante a natureza, verifica-se que há uma elevada dependência das fontes energéticas fósseis e o poder, económico e político, é também muito centralizado. Em contrapartida, emerge na nossa sociedade uma ideia de evolução controlada e de respeito pela natureza. Mas, para além da coexistência destas duas vagas, verifica-se um elevado nível de “nevoeiro informacional”

O facto do processo de mudança ser caracterizado pela transitoriedade, novidade e diversidade vem reforçar o papel da educação ambiental como um meio propício à criação de oportunidades com vista a uma educação que desenvolva competências ambientais no que se refere aos actores do futuro. Como cidadãos, as crianças e os jovens devem aprender a tomar decisões relativas ao ambiente e a estar conscientes relativamente à tomada de certas decisões políticas que podem ter consequências ambientais. A educação ambiental pode ser desenvolvida através de actividades/experiências educativas que preparem as crianças e jovens para a vida, através da compreensão dos principais problemas do “mundo moderno”. Por sua vez, a educação ambiental deve ser uma educação de carácter permanente, geral, adaptada às mudanças que se produzem num mundo em rápida evolução.

Sendo a escola o lugar privilegiado das aprendizagens, onde se devem adquirir valores e promover atitudes e comportamentos “pró-ambientais”, torna-se urgente uma intervenção eficaz, ao nível da educação, que na perspectiva de desenvolvimento sustentável inverta a tendência actual, comprometedora da existência da própria espécie humana.

Mas, face a tudo isto os agentes no processo educativo devem assumir um papel interveniente, mas em que sentido? E como reagir perante a mediatização?

Uma forma interessante de promover educação ambiental num contexto de uma “sociedade em mudança” seria a de criar mecanismos que através da escola (em contexto do currículo formal ou do não formal) promovessem e/ou intensificassem a reflexão, a investigação e a inovação. Tenho ficado com a sensação que os alunos têm sido “treinados” para serem “máquinas de repetição” daquilo que a escola e os professores lhes mostram/ensinam, ficando pouca margem para a inovação, o que tem como natural consequência a fraca capacidade de se adaptarem a novas situações.

sábado, 2 de junho de 2007

5 Junho 2007



Definido pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1972 para marcar o início da Conferência de Estocolmo sobre Ambiente Humano, o dia 5 de Junho é comemorado todos os anos um pouco por todo o mundo.

Este ano as alterações climáticas e o degelo merecem destaque, como forma de apoiar o Ano Polar.


A UNEP convida todos a visitarem a página do Dia Mundial do Ambiente e a registar online a(s) actividade(s) que cada um, cada escola, cada empresa... vai desenvolver neste dia.

É também possível consultar muita informação. A não perder...


Dia Mundial do Ambiente - 5 Junho

As cerimónias oficiais do Dia Mundial do Ambiente - 2007 terão lugar em Tromso, na Noruega, segundo comunicou o Programa das Nações Unidas para o Ambiente.

Tendo como slogan "Melting ice - a Hot Topic", as comemorações mundiais incidirão sobre o efeito das alterações climáticas que se prevê serão maiores nos pólos levando a um degelo importante.

Visto que 2007 é o Ano Internacional Polar, realizar-se-ão em várias cidades norueguesas iniciativas para alertar as populações acerca dos perigos das alterações climáticas para a vida das pessoas e para a biodiversidade, nomeadamente nas regiões polares.

Note-se que, com o aumento da temperatura nos pólos, o degelo tem sido significativo e animais como p. ex. os ursos polares têm sido encontrados mortos devido ao facto de não encontrarem massas de gelo e terem de nadar grandes distâncias. Também algumas populações de pinguins têm visto o seu número diminuir.

Apesar de as cerimónias incidirem sobre os pólos, as alterações climáticas far-se-ão sentir em todo o mundo e o degelo das calotes polares, para além de poderem fazer subir o nível do mar, podem ter outros efeitos a nível climático afectando zonas muito distantes.

(in www.icn.pt)


Veja o vídeo em: http://www.green.tv/pole_to_pole/



Os montados no contexto do Hotspot de Biodiversidade da Bacia do Mediterrâneo

A Bacia do Mediterrâneo é considerada um hotspot de biodiversidade.

Hotspot da Bacia do Mediterrâneo
(fonte: http://www.biodiversityhotspots.org/xp/Hotspots/mediterranean/)


As características tão peculiares desta região terão sido em resultado de:

  • Complexa história geológica;
  • Geografia física;
  • História da ocupação do homem;
  • Um clima mediterrânico (Verões quentes e secos, Invernos frios);
  • De uma sazonalidade na disponibilidade de água e elevada variação interanual da pluviosidade;
  • Da fisionomia da vegetação e das adaptações ecológicas das plantas.

Este hotspot de biodiversidade tem uma extensão original de 2085292 km2. Possui uma longa história ligada à conservação. É curioso verificar que os Romanos e os Gregos tiveram a preocupação e iniciativa em criar áreas destinadas para a protecção dos recursos naturais da região. Todavia, actualmente apenas cerca de 90 km2 (4,3% de toda a área) estão ao abrigo de um estatuto de protecção e, apenas 1,4 % estão sujeitos a altos níveis de protecção, de acordo com as categorias da IUCN.

Na região do Mediterrâneo existe um elevado número de espécies, animais e vegetais, muitas delas endémicas. Comparativamente com outros hotspots de biodiversidade, a região do Mediterrâneo é pouco representativa em mamíferos e aves, mas em relação às plantas o cenário é diferente. Neste hotspot existe 22500 plantas, um número muito superior aquele que é possível encontrar no resto da Europa. Destas espécies, aproximadamente 11700 (52%) são endémicas.

Pensa-se que a bacia do Mediterrâneo, funcionou como uma zona de refúgio para muitas espécies em épocas de glaciações. Á escala da diversidade paisagística e de tipos de habitat, a presença do Homem no Mediterrâneo, desde há milhares de anos, através de acções como o fogo e o pastoreio (e actividades agrícolas complementares) favoreceu a heterogeneidade e diversidade da paisagem. Assim, no Mediterrâneo existem espécies adaptadas a perturbações como o fogo e o pastoreio.

Aqui ocorreram as primeiras experiências com sucesso de domesticação de mamíferos. Esta área é excepcionalmente rica em genótipos de gado seleccionados pelo Homem ao longo de muitas gerações, a partir de pontos de origem na Europa Oriental e na Ásia Ocidental. A diversidade de animais domésticos no Mediterrâneo reflecte a diversidade de ambientes onde o Homem procedeu à sua selecção. Uma vez adquirida nestas regiões a prática de domesticação, os animais domesticados espalharam-se por todo o mundo, num muito curto espaço de tempo. Quanto às actividades agrícolas é actualmente reconhecido o valor de conservação de diversos sistemas, nomeadamente os de tipo mais extensivo. Por exemplo os montados na Península Ibérica são um bom exemplo. Neste contexto, é de realçar que o sobreiro é considerado a espécie mais importante da floresta portuguesa, não só por Portugal deter mais de um terço de toda a superfície ocupada pelo sobreiro no Mundo, mas também pelo facto do nosso país ser responsável pela produção de mais de metade da cortiça a nível mundial.

Montado
(fonte: http://www.cm-evora.pt/arqueologia/)


O montado de sobro é um sistema de uso múltiplo agro-florestal típico das regiões mediterrânicas-continentais, criado pela intervenção do Homem e com uma tendência cultural extensiva. São ecossistemas artificiais, no sentido de que as suas características são o resultado de intervenção humana continuada, frágil e lenta renovação, cuja característica dominante é a presença de sobreiros em povoamentos abertos e irregulares e com um sub-coberto constituído por matos, cultura agrícola ou pastagem.

No entanto, e apesar de se considerarem artificiais são dotados de uma grande importância sócio-económica e biológica, e de que depende a sobrevivência de muitas espécies ameaçadas, entre as quais são de destacar a Águia Bonelli e o Lince Ibérico.

Estes sistemas, com elevado valor de conservação, estão associados a uma importante indústria nacional, a produção de cortiça. Ao gerar rendimento, a indústria da cortiça tem favorecido a manutenção de importantes habitat para a conservação das espécies.

Bibliografia:
http://www.naturlink.pt
http://www.biodiversityhotspots.org


domingo, 27 de maio de 2007

10 segundos na vida do nosso Planeta

Já pensou no que acontece em apenas 10s?


Futuro sustentável? eu acredito...

ECO92 é a designação abreviada da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida como Cimeira da Terra, realizada no Rio de Janeiro de 3 a 14 de Junho de 1992.
A partir desta Conferência o conceito de desenvolvimento sustentável passou a ser amplamente difundido e, desde então, diversos países passaram a considerar o desenvolvimento sustentável como componente da sua estratégia política conjugando ambiente, economia e aspectos sociais.
Mas ainda existe muito para fazer...

O vídeo que sugerimos é de uma rapariga que na altura tinha 11 anos. O discurso é impressionante e cada vez mais actual.
Acredito que a actual geração tem a mesma motivação, empenho e iniciativa em mudar o Mundo...

domingo, 20 de maio de 2007

Discuta as alterações climáticas com os mais novos...

As alterações climáticas são o maior desafio do século XXI. É um problema de todos, e todos contribuímos para ele...

O vídeo seguinte é um bom instrumento para este tema ser discutido com as crianças...



Perguntem-lhes qual ou quais os elementos que reteram ...

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Conheça melhor os países do Mundo ...

O site Países@ fornece informações sobre todos os países do mundo, agrupadas em 7 temas principais: Síntese, População, Indicadores Sociais, Economia, Redes, Ambiente e Objectivos do Milénio.

A não perder ...


quinta-feira, 19 de abril de 2007

Um problema global e (i)moral ...

Empresas madeireiras de portugueses trocam açúcar, sal e cerveja por direitos sobre vastas áreas de floresta do Congo, explorando actualmente o equivalente a metade do continente português, noticia a revista “Visão” na edição de 19 de Abril. A Greenpeace denuncia o que diz serem contratos imorais com as populações locais. Documentos facultados pela Greenpeace à revista revelam que quatro empresas obtiveram nos últimos cinco anos concessões para explorar a floresta, apesar de existir uma moratória do Banco Mundial.
Em troca de prémios monetários ou de bens (sabão, sal, café, entre outros), as aldeias cedem as suas florestas e os chefes assumem a responsabilidade de prevenir e impedir manifestações da população

Além de considerar imoral a realização de contratos como este, a Greenpeace acusa as quatro empresas portuguesas de trabalharem ilegalmente, uma vez que existe desde Maio de 2002 uma moratória do Banco Mundial que impede novas concessões para travar a exploração selvagem das florestas.



De referir que a floresta tropical do Congo é a segunda maior do mundo, depois da Amazónia, e tem mais de 50 áreas de exploração de madeira em zonas consideradas de conservação prioritária.
Segundo a notícia, a Greenpeace alerta também para o contributo da indústria da madeira para o efeito de estufa, estimando que a desflorestação do Congo provoque a emissão de 34,4 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono até 2050, o equivalente ao que Portugal lançará para a atmosfera nos próximos 420 anos.

Bibliografia:
www.publico.pt
http://visao.clix.pt/

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Será que a nossa espécie está a assistir à maior catástrofe desde a sua existência ?...

Assista a uma parte do documentário "Last Days on Earth", do canal ABC, sobre as alterações climáticas.


Testemunhos das alterações climáticas

Hoje já não é possível fugir à realidade: as alterações climáticas estão a acontecer, já não são cenário futuro.
A WWF dá a conhecer algumas pessoas que testemunham as consequências de tais mudanças.
Conheça algumas dessas histórias...

Cordão Verde

Projecto Cordão Verde foi a designação utilizada pelo WWF para a sua estratégia de conservação de Ecossistemas Prioritários no Mediterrâneo, de acordo com os princípios do Planeamento Eco-regional. Países como a Itália, Croácia, Marrocos, Tunísia, Turquia e Portugal fazem parte das regiões ecológicas do mediterrâneo identificadas pelo WWF-Programa Mediterrâneo como áreas de identificação prioritária.
De referir que o “Cordão Verde”
foi o primeiro projecto de referência na área da conservação de ecossistemas prioritários lançado pelo WWF em Portugal.
O WWF- MedPO identificou o Sul de Portugal como uma região de elevado valor para a conservação da natureza, tendo lançado a iniciativa “Um Cordão Verde para o Sul de Portugal” em 2001. O Cordão Verde português inclui o Vale do Guadiana, Serras do Caldeirão, Monchique e litoral Alentejano (que estabelecem uma continuidade ecológica entre a costa atlântica e o vale do rio Guadiana) e estende-se ao longo de aproximadamente 4750 km2. Nestes locais situa-se a mais extensa e significativa mancha florestal de vegetação mediterrânica de baixa montanha do país. No território Cordão Verde foram lançados os principais projectos de demonstração do WWF em Portugal.
O território Cordão Verde é assumido como uma unidade de paisagem, onde se pretende inverter as tendências de degradação ambiental e contribuir para a melhoria das condições de vida das populações.


Fonte: Naturlink

O projecto Cordão Verde pretende criar as condições necessárias para restabelecer a continuidade ecológica, harmonizando os processos ecológicos e sócio-económicos a longo prazo. Numa primeira, fase foram identificados e caracterizados os núcleos de maior biodiversidade e valor ecológico, bem como os corredores que permitem a sua interligação. Foram também abordadas as formas de assegurar a sua conservação, tendo em conta a realidade sócio-económica destes locais. Numa segunda fase, estabeleceram-se parcerias com a sociedade civil e instituições públicas no sentido de estabelecer um quadro de acção alicerçado no êxito de um conjunto de acções de gestão que pudessem inverter a tendência que ameaça a preservação dos recursos naturais, valorizando-se os benefícios que estes podem ter na economia local.
Está a decorrer na Herdade da Ribeira Abaixo, situada na Serra de Grândola, um projecto pioneiro de restauro ecológico do sobreiral - Campo de Demonstração de Técnicas de Gestão de Sobreiral - Southern Portugal Cork Oak Forests Landscape Restoration - que envolve o WWF-MedPO, o Centro de Biologia Ambiental (CBA) e a Associação de Desenvolvimento do Litoral Alentejano.
Na Herdade da Ribeira Abaixo o projecto encontra-se a decorrer sobre parcelas florestais, onde são demonstradas técnicas de Recuperação de Sobreirais degradados utilizando técnicas de desenvolvidas no âmbito do conceito de Restauro Ecológico de Ecossistemas.
Por Restauro Ecológico de Ecossistemas (REE) entende-se uma acção de recuperação de um ecossistema no que diz respeito à sua vitalidade, integridade e sustentabilidade. O Restauro Ecológico é assim um processo de recuperação de um ecossistema que foi degradado, danificado ou destruído.
O Cordão Verde promove a aplicação do Restauro Ecológico de Ecossistemas à Escala da Paisagem, onde a conservação da natureza é entendida à escala de uma eco-região (ex. território Cordão Verde do Sul de Portugal). Esta é uma forma de pensar o ordenamento e a gestão do território à escala da paisagem, onde se devem considerar ao mesmo nível a preservação da integridade e conectividade ecológicas e necessidades sócio-económicas.
O WWF e a UICN definem Restauro de Paisagem Florestal como um processo de planeamento que pretende recuperar a integridade ecológica e incrementar o bem-estar humano em paisagens florestais degradadas. Os princípios defendidos pelo WWF e IUCN, sobre a conservação das florestas são:

  • Princípio de Integridade Ecológica: Contribuir para a manutenção da diversidade e qualidade dos ecossistemas, o reforço da sua resiliência e de garantir as necessidades das gerações vindouras.
  • Princípio da Abordagem Eco-regional: Envolver os actores chave na tomada de decisão sobre o planeamento do território, a uma escala que influencie o fornecimento de bens e serviços da floresta, enquadrado no âmbito de uma estratégia Eco-regional de Conservação.
  • Princípio do Bem-estar Humano: Assegurar que todas as pessoas possam participar na tomada de decisão, sobre aspectos que afectem a satisfação das suas necessidades, a conservação dos seus recursos e de realização do seu potencial humano.

O projecto “Campo de Demonstração de Técnicas de Gestão de Sobreiral” na Herdade da Ribeira Abaixo, em Grândola visa a aplicação destes princípios numa escala de demonstração em parcelas de 20 Ha.

Bibliografia:
http://www.in-loco.pt/inloco/cordaoverde.htm
http://www.naturlink.pt/
http://www.agroportal.pt
http://www.panda.org/about_wwf/where_we_work/europe/what_we_do/mediterranean/index.cfm

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Um quarto das espécies estão ameaçadas de extinção...

Peritos de mais de uma centena de países integrados no Painel Intergovernamental da Mudança Climática (Giec) aprovaram hoje um relatório sobre a vulnerabilidade e o impacto que este processo terá no ambiente e na sociedade.
É a segunda reunião do painel intergovernamental, após o encontro em Paris de Fevereiro passado.

O IPCC é um organismo criado em 1988 pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) com a missão de reunir e analisar informação sobre o contributo da acção humana no agravamento das alterações climáticas.
O documento analisa as consequências para o ambiente, a agricultura, as florestas, a pesca, a saúde das pessoas e dos animais e avalia a capacidade do Homem de se prevenir contra desastres naturais.

Segundo uma notícia do jornal Público, de 2/4/07, o relatório prevê impactes desiguais do sobre-aquecimento: as nações tropicais de África ao Pacífico, maioritariamente pobres, deverão suportar o peso das mudanças, com a subida do nível médio do mar, por exemplo. O esboço do relatório prevê vagas de calor, secas e inundações que podem causar a fome a milhões de pessoas, especialmente na Ásia e África, e falta de água que podem atingir 3,2 mil milhões de pessoas.
O relatório refere ainda que um quarto das espécies de fauna e flora do mundo estarão ameaçadas de extinção durante este século caso a temperatura média do planeta aumente dois ou três graus em relação a 1990, advertem especialistas.
O relatório do IPCC, que reúne 2500 cientistas, publicado em Fevereiro prevê um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros até 2100.
Até a Rússia, que poderia viver melhor com mais dois graus, pode dar-se mal com as alterações do clima. O aumento das temperaturas pode reduzir a espessura do permafrost (solo permanentemente gelado), sobre o qual estão construídas muitas estradas e cidades – do Canadá à Sibéria – e trazer epidemias do Sul para o Norte. No ano passado, o relatório Stern concluiu que não pode haver vencedores.
“É algo muito perigoso dizer que as alterações climáticas vão trazer benefícios”, comentou Anders Portin, vice-presidente da Federação da Indústria Florestal finlandesa. Os produtores de pasta de papel receiam o aumento das pragas de insectos, normalmente mortos pelas temperaturas baixas do Inverno.
O 4º Relatório do IPCC é elaborado por três grupos de especialistas.


Bibliografia:
www.publico.pt
http://www.ipcc.ch

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Atlas mundial da Biodiversidade

A biodiversidade marinha e terrestre, quais as espécies em risco de extinção, a relação entre a espécie humana e a biodiversidade, são apenas alguns dos itens que podem ser explorados no Atlas Mundial da Biodiversidade.

A não perder !...

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Conservação da natureza, a escola tem um papel crucial ...

Muitas árvores foram abatidas e rios de tinta tiveram de correr para que se pudesse reforçar no “papel” as preocupações em relação aos problemas que se manifestam no ambiente e à consequente diminuição da qualidade de vida do ser humano. Inequivocamente, essa qualidade de vida está relacionada com o crescimento dos problemas ambientais que resultam, na maior parte das vezes, da incúria do ser humano em favor do poder económico (ou pelo menos assim parece).
Importa, assim, criar condições que contribuam para a diminuição da frequência e da intensidade de catástrofes ambientais e evitar o aparecimento de novos problemas.
Nos últimos anos, parece generalizada a ideia de que a Escola não formou adequadamente, em termos ambientais, os cidadãos que se encontram hoje em idade activa, sendo notória a necessidade de preparar as crianças e os jovens no sentido de um desenvolvimento sustentável. Nesta sequência, é visível a contradição entre os investimentos – financeiro, na investigação, formativo, etc. – que a vários níveis têm sido feitos em termos de Educação Ambiental e os resultados negativos que cada vez mais se verificam no que respeita aos índices de degradação do ambiente, quer em termos nacionais, quer em termos planetários.
Sendo a escola o lugar privilegiado das aprendizagens, onde se devem adquirir valores e promover atitudes e comportamentos “pró-ambientais”, torna-se urgente uma intervenção eficaz, ao nível da educação, que na perspectiva de desenvolvimento sustentável inverta a tendência actual, comprometedora da existência da própria espécie humana.


Cabe à geração actual criar as oportunidades com vista a uma educação que desenvolva competências ambientais no que se refere aos actores do futuro. Como cidadãos, as crianças e os jovens devem aprender a tomar decisões relativas ao ambiente e a estar conscientes relativamente à tomada de certas decisões políticas que podem ter consequências ambientais. As experiências educativas de projectos de temática ambiental, recorrendo ao trabalho dentro e fora da sala de aula, utilizando o ambiente como recurso e integrando saberes e métodos de pesquisa de diferentes áreas disciplinares, podem contribuir para a formação integral dos alunos e para a construção de uma cidadania participativa e consciente (in Educação Ambiental, Guia anotado de recursos, IIE, 2001).
Na actualidade e na sociedade de informação em que vivemos, constata-se que grande parte da informação que chega aos cidadãos é veiculada pelos media. As regras pelas quais estes se regem são também regras de competitividade comercial (como a publicidade ou as audiências), ou mesmo outras menos nobres de condução de massas. No entanto toda essa informação acaba por “passar” pelas mentes dos indivíduos. A capacidade de selecção da informação a reter não é igual para todos. Tenhamos também a consciência de que, da informação veiculada em catadupa por um qualquer órgão de imagem e som, só uma parte muito pequena fica retida. A única forma, então, de gerar uma efectiva mudança de atitudes será através de um processo duradouro, cuidado e adaptado às atitudes e aos comportamentos que se deseja incutir, bem como à população alvo.
Tornou-se uma necessidade o desenvolvimento de uma cultura social, por contraponto a uma iliteracia social que grassa, muitas vezes de forma não proporcional ao “desenvolvimento” económico das sociedades. O processo de aprendizagem deve ser preferencialmente orientado para os valores e não para os dogmas. Se se conseguir incutir na população alvo as capacidades e os valores elementares será possível que cada um construa os seus próprios dogmas, e será possível construir uma cultura social. Assim sendo, será mais fácil entender as diferenças de valores, compreender a evolução dos valores sociais com o tempo, inclusive aumentar a capacidade de sobrevivência (in Educação Ambiental e Educação para a Cidadania, Revista APEI, Agosto 2001).

domingo, 1 de abril de 2007

Iraque, é possível voltar ao Jardim do Éden?


As últimas notícias sobre o Iraque não têm sido infelizmente sobre as melhores razões. Passaram agora 4 anos da invasão norte-americana ao Iraque, concebida para desarmar as forças então vigentes e criar um enclave democrático pró-ocidental no Médio Oriente. Hoje em dia o país está fechado numa espiral de violência sectária devastadora que fez dezenas de milhar de mortos.
Para muitos especialistas esta guerra tem como pano de fundo um importante recurso natural, o petróleo. E o que é feito do grande recurso global que é a biodiversidade? Sendo a espécie humana uma parte integral dos ecossistemas a biodiversidade local tem sofrido terríveis consequências com todos estes conflitos militares.
Entre as principais consequências para o ambiente das guerras destaco: os derrames de petróleo, fugas de substâncias químicas (devido por exemplo ao bombardeamento a fábricas, refinarias e armazéns); o uso de agentes químicos; a destruição de habitats; a destruição de solos aráveis, e a colocação de minas.
Mas, nem tudo é negativo...
A "Nature Iraq", uma ONGA recém formada, publicou o primeiro guia de campo das aves do Iraque, em árabe. Sendo as aves boas indicadoras da qualidade do ambiente e tendo aquele país sofrido nos últimos 20 anos grandes perdas de biodiversidade torna-se importante ter materiais na língua do país, de modo a aumentar a sensibilização para estas questões. A biodiversidade é crucial para o desenvolvimento económico de qualquer região.
Desde a queda do governo de Saddam Hussein, em 2003, que as zonas húmidas da Mesopotâmia têm sido alvo de um programa internacional para recuperar o seu património ecológico e sócio-cultural. Estas zonas, que foram 90% drenadas no passado, estão hoje a recuperar, voltando a aparecer os peixes, as aves e muitos outros animais que, entre outras funções, podem servir de alimento e recurso às pessoas que aí habitam.


Aliás, é curioso verificar que o actual Iraque, berço dos impérios sumérios e babilónios, em cuja zona de influência se estende agora o deserto: no avanço do delta do Tigre e do Eufrates sobre o Golfo Pérsico estão depositados os solos ricos da antiga Mesopotâmia.
Mais uma vez o Homem está a assumir-se como um agente poderoso de alteração do ambiente. Não nos podemos esquecer que a humanidade sempre dependeu dos serviços prestados pela biosfera e pelos seus ecossistemas. A recuperação destes habitats é fundamental como suporte da própria vida.
Pensa-se que estas zonas terão sido a inspiração para a narração do Éden. Segundo o Livro do Génesis, no Jardim do Éden, Deus fez desabrochar toda a espécie de árvores e de saborosos frutos para comer. Actualmente, a constatação da importância da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas são, em certa medida, uma procura de salvação do "jardim" dos nossos dias...

sexta-feira, 30 de março de 2007

A Mata de Albergaria, uma importante reserva biogenética da Europa

(PNPG, Prado Amarelo. Foto JG)

Criado em 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês localiza-se no Alto Noroeste de Portugal, com uma área que se alonga em ferradura por cerca de 72000 hectares. Na sua área engloba territórios dos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

O nosso único Parque Nacional localiza-se na zona de fronteira das regiões biogeográficas eurosiberiana e mediterrânica. Este facto determina que espécies da flora mediterrânica como, por exemplo, o sobreiro (Quercus suber), o medronheiro (Arbutus unedo), o loureiro (Laurus nobilis) e a gilbardeira (Ruscus aculeatus), testemunhos de migrações ocorridas em tempos passados mais quentes do que os actuais, coabitem com espécies eurosiberianas como o carvalho-alvarinho (Quercus robur), teixo (Taxus baccata), padreiro (Acer pseudoplatanus), azevinho (Ilex aquifolium) e aveleira (Corylus avellana).

(PNPG, Mata de Albergaria. Foto JG)

A cobertura vegetal do PNPG encerra espécies de elevado valor florístico, quer pelo seu estatuto de conservação, quer pelo seu estatuto biogeográfico, nomeadamente espécies endémicas, lusitânicas e ibéricas, e espécies raras ou ameaçadas da nossa flora, como, por exemplo, o feto-do-gerês (Woodwardia radicans), o narciso-trombeta (Narcissus pseudonarcissus subsp. nobilis), o lírio-do-gerês (Iris boissieri) e a arméria (Armeria humilis subsp. humilis). Toda a sua biodiversidade constitui um património natural, biológico e genético de um valor incalculável que deve ser transmitido às gerações vindouras.

Um dos elementos de maior destaque é a Mata de Albergaria, um dos mais importantes bosques desta parque nacional. É constituída predominantemente por um carvalhal secular, dominado pelo carvalho-alvarinho (Quercus robur), que inclui espécies da fauna e flora geresiana. Guarda também um troço da Via Romana (Geira) com as ruínas das suas pontes e um significativo conjunto de marcos miliários.

(PNPG, Marcos miliários . Foto JG)

A baixa presença humana nesta mata não rompeu, até há poucos anos, o frágil equilíbrio do seu ecossistema, cuja riqueza e variedade contribuíram para a sua classificação pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu. É também, nos termos do Plano de Ordenamento do Parque, classificada como Zona de Protecção Parcial da Área de Ambiente Natural.
Nos últimos anos o peso humano tornou-se excessivo, em particular nos meses de Verão, e a regeneração dos componentes naturais passou a fazer-se mais lentamente. De certa forma são já visíveis alguns efeitos nocivos desta pressão.


(PNPG, Mata de Albergaria. Foto JG)

Para além da pressão humana, outros factores estão a por em risco o património natural do PNPG, entre os quais são de destacar: o fogo; o sobrepastoreio, praticado pelo gado caprino, o qual compromete a regeneração de algumas espécies de vegetação autóctone; a prática de desportos aquáticos motorizados nas albufeiras abrangidas pelo Parque.

A Mata de Albergaria é sem dúvida um dos tesouros naturais de Portugal.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Fiel amigo, até quando?


O bacalhau é um alimento milenar.
Originário das águas frias dos mares que circundam o Pólo Norte, existem registos que mostram a existência de fábricas para o seu processamento na Islândia e na Noruega desde o século IX. Os Vikings são considerados os pioneiros na sua descoberta pois a espécie abundava nos mares que navegavam. Como não tinham sal, apenas secavam o peixe ao ar livre, até que perdesse quase a quinta parte de seu peso e endurecesse como uma tábua de madeira, para ser consumido aos pedaços nas longas viagens que faziam pelos oceanos.

O mercador holandês Yapes Ypess foi o primeiro a fundar uma indústria de transformação na Noruega sendo, por isso, considerado o pai da comercialização do peixe industrializado. A partir de então, a procura do peixe passou a crescer, o que proporcionou o aumento do número de barcos pesqueiros e de indústrias pela costa norueguesa, transformando a Noruega no principal pólo mundial de pesca e exportação do bacalhau.
Dá que pensar: o bacalhau (Gadus morhua) já foi, em tempos, um alimento muito barato. É interessante verificar que o bacalhau de má qualidade era utilizado na alimentação dos escravos e o excelente era importante no comércio entre a Amér
ica e a Europa. Por exemplo, em Salem, o comércio de bacalhau era das actividades económicas mais importantes no século XVII, de tal forma que, quando o seu tribunal - criado em 1692 - interrogou centenas de mulheres acusadas de bruxaria e enforcou 19 delas, o selo do tribunal era um bacalhau.
O bacalhau foi uma revolução na alimentação. Deve-se ter em conta que os aparelhos de refrigeração/congelação apenas apareceram no século XX. Até essa data, era frequente a degradação dos alimentos. Mas, o método de salgar e secar o alimento, além de garantir a sua perfeita conservação mantinha todos os nutrientes e apura
va o paladar. A carne do bacalhau ainda facilitava a sua conservação salgada e seca, devido ao baixíssimo teor de gordura e à alta concentração de proteínas.
Um produto de tamanho valor sempre despertou o interesse comercial dos países com frotas pesqueiras. Em 1510, Portugal e Inglaterra firmaram um acordo contra a França. Em 1532, o controlo da pesca do bacalhau na Islândia desencadeou um conflito entre ingleses e alemães conhecido como as "Guerras do Bacalhau".

Há vários anos que os portugueses introduziram nos hábitos alimentares este peixe. Descobrimos o bacalhau no século XV, na época das grandes navegações. Na época eram necessários produtos que não se alterassem muito de modo a suportar as longas viagens. É curioso verificar que em 1596, no reinado de D. Manuel, se mandava cobrar o dízimo da pescaria da Terra Nova nos portos de Entre Douro e Minho. Hoje, Portugal é o maior consumidor mundial de bacalhau.
Existem 1000 maneiras de fazer bacalhau! Pois é, esta espécie está a ser vítima da sua popularidade em cozinhas de todo o mundo.
A pesca excessiva tem conduzido a uma drástica redução dos cardumes de bacalhau. Nas últimas décadas, a modernização da indústria pesqueira levou a que a captura fosse mais eficiente, o que acelerou o processo de extinção.


Actualmente, não são só os cardumes que estão menores, mas também os peixes, pois a captura é tão elevada que não há tempo para que os peixes cresçam.
A solução parece óbvia, reduzir ou mesmo parar com a captura deste peixe. Para a Organização Internacional de Exploração dos Mares (CIEM) os stocks de bacalhau podem acabar dentro de 15 anos e proibir a sua captura é a única oportunidade de recuperarem. Segundo esta organização a capacidade reprodutiva do bacalhau é reduzida e a mortalidade causada pela pesca indica uma redução insustentável do stock. Não há opção, é urgente a abolição da pesca de bacalhau no Atlântico Norte por considerar que está em causa a sobrevivência da espécie.
Só assim se conseguirá evitar a extinção do nosso “fiel amigo”…

Exóticas e perigosas !

A invasão de um habitat por espécies exóticas, pode ser um dos principais factores de ameaça do ecossistema aí existente.

São múltiplas e crescentes as actividades humanas que estão na origem de profundas alterações nos sistemas biológicos. São destacar a expansão da agricultura em detrimento dos habitats naturais; a expansão urbana e industrial; a perda e fragmentação dos habitats naturais, alterações dos ciclos minerais, em particular o azoto; poluição do solo, do ar e da água; alterações climáticas; e invasão por espécies exóticas. De entre todas estas alterações, a invasão de um habitat por uma espécie exótica que conduz, frequentemente, à ocupação e domínio do novo território, é das situações mais difíceis de controlar e restaurar.

O problema coloca-se quando as espécies exóticas se tornam invasoras, ameaçando a sobrevivência das espécies indígenas, e não forçosamente pela introdução controlada de espécies exóticas. As espécies invasoras são pois aquelas que têm a capacidade de competir e, frequentemente, substituir, outras espécies nos seus habitats naturais, adaptando-se aos novos ambientes, distribuindo-se rapidamente para além dos locais onde foram introduzidas e passando a interferir com o desenvolvimento natural das comunidades invadidas.

As espécies exóticas invasoras tornaram-se tão familiares que muitas vezes são identificadas como espécies indígenas. Para muitas pessoas certas espécies são dotadas de uma beleza particular, facto que contribui para agravar este problema.

A invasão biológica por espécies exóticas é um processo que podemos observar de forma crescente em Portugal, e que ocorre em todo o Mundo em proporções preocupantes. No limite, podemos estar a assistir a uma “uniformização global”, ou seja, aos poucos, as invasões biológicas estão a promover a substituição de comunidades com elevada biodiversidade por “comunidades” monoespecíficas de espécies invasoras, ou com biodiversidade reduzida. Além disso, promove-se uma redução da variabilidade genética existente em cada região.

(fonte: http://www.millenniumassessment.org)

Em causa está a biodiversidade global e os serviços dos ecossistemas que suportam a vida. Estas espécies, mesmo quando pouco representativas, colocam sempre problemas de conservação, porque podem alterar os recursos disponíveis e a estrutura e o funcionamento do ecossistema, por exemplo, através da alteração das propriedades químicas do solo, do ciclo de nutrientes, do fogo e do regime hídrico, aumentando a competição, que pode impedir ou reduzir a regeneração das espécies nativas ou conduzir à sua exclusão.

Muitas espécies exóticas provocam alterações importantes nos ecossistemas em Portuga: Arundo donax (cana) originária da Ásia, Oxalis pes-caprea (azeda) originária da África do Sul, Pittosporum undullatum (árvore-do-incenso) originária do Sudeste da Austrália, Aillanthus altissima (ailanto) originária da China, Hakea salicifolia (salgueirinha) originária da Austrália, Hakea sericea (espinheiro-preto) originária da Austrália e da Tasmânia, Myoporum tenuifolium (mioporo) originária da Austrália Erygeron karvinskyanus (margacinha-dos-muros) rupícola, originária da Argentina.

Em Portugal, muitas das espécies que se comportam hoje como invasoras foram introduzidas em épocas passadas com objectivos que passaram pela fixação de areias (ex. chorão-das-praias, acácia-de-espigas), estabilização de taludes (ex. mimosa), utilização da madeira (ex. mimosa, austrálias) ou dos taninos (ex.acácia-negra), sebes vivas (ex. háquias), alimentação (ex. lagostim-vermelho) ou simplesmente ornamentais (ex. espanta-lobos, erva-das-pampas).

Nas áreas do litoral, o chorão (Carpoprotus edulis) oriundo da África do Sul é a espécie invasora mais espalhada. Em Portugal a sua utilização é severamente restringida pelo DL 565/99 de 21 de Dezembro. No entanto ao longo do litoral são inúmeros os exemplos de utilização do chorão para fins ornamentais, ou alegadamente para fixação das dunas.

Esta espécie tem como principais características um intenso crescimento, formando rapidamente extensos tapetes, os quais substituem a vegetação indígena. Promove ainda uma acidificação dos solos.

A solução para este problema reside principalmente na prevenção, i.e., evitar a introdução indiscriminada e descuidada de certas espécies.

Chorão

Bibliografia:
www.uc.pt/invasoras
www.icn.pt
www.naturlink.pt

domingo, 25 de março de 2007

Desflorestação e agricultura

A conversão de zonas florestais e não cultivadas para fins agrícolas pode gerar alguns benefícios, resultantes da produção de alimentos nesses locais. Mas considero que as vantagens que daqui poderão resultar são limitadas e a resultam apenas a curto prazo.

A destruição das florestas tem-se tornado um assunto de particular preocupação devido à potencial perda de várias espécies de plantas e animais, que habitam as florestas tropicais de todo o mundo. No caso das florestas tropicais e, embora estas cubram apenas cerca de 7% da Terra, contêm, pelo menos, metade das espécies de animais e plantas, muitas das quais ainda nem sequer foram identificadas. Assim, a conversão de zonas florestais e não cultivadas para fins agrícolas tem uma consequência directa na redução da biodiversidade. De igual forma, os serviços de suporte e de regulação dos ecossistemas são alterados. Destaco o papel na formação do solo, na regulação do clima e da água, uma vez que se verifica uma intervenção directa no ciclo hidrológico.

A destruição de florestas modifica a superfície terrestre, e assim afecta o clima ao alterar as quantidades de energia solar que são absorvidas e reflectidas.

Relativamente à relação entre florestas e alterações climáticas pode ser analisada por várias perspectivas: se por um lado as florestas são uma solução do problema, pois são importantes sumidouros de CO2, por outro lado, podem contribuir para o problema, uma vez que a desflorestação implica a emissão de gases de efeito de estufa.

Para além das consequências referidas, a conversão de áreas para fins agrícolas pode conduzir ao empobrecimento do solo, e no limite à desertificação. No caso da prática de uma agricultura intensiva, a utilização de pesticidas e de fertilizantes terá consequências graves para os solos.

Em suma, as consequências são inúmeras, e manifestam-se a uma escala regional e global, pelo que a conversão de zonas florestais para fins agrícolas tem de ser muito bem ponderada, aliada a medidas de uso sustentável do solo, como a prática de uma agricultura biológica.

A sobrevivência do Homem está dependente da variabilidade genética da biodiversidade.

De toda a diversidade de formas biológicas, apenas uma dúzia de espécies de animais foi domesticada pelo homem, de onde provem toda a proteína de origem animal que consumimos. Do mesmo modo, apenas cerca de 1% das plantas existentes são utilizadas para a alimentação humana. Então porque é importante mantermos a biodiversidade da vida dita “selvagem”?

A humanidade sempre dependeu dos serviços prestados pela biosfera e pelos seus ecossistemas. Para mais, a biosfera é em si própria o produto da vida na Terra. A composição da atmosfera e do solo, a circulação dos elementos pelo ar e pelos cursos hídricos, e muitos outros bens e serviços ecológicos são o resultado de processos vivos, e todos são mantidos e reabastecidos por ecossistemas vivos.

Um ecossistema é um complexo de comunidades de plantas, animais e micro-organismos e do ambiente não-vivo interagindo como uma unidade funcional. A espécie humana é uma parte integral dos ecossistemas. Os ecossistemas fornecem uma variedade de benefícios para o Homem, incluindo serviços de produção, de regulação, culturais e de suporte.

Os conceitos de biodiversidade e de ecossistema estão intimamente relacionados.

A diversidade é um aspecto estrutural dos ecossistemas, e a variabilidade entre os ecossistemas é um elemento da biodiversidade. Os produtos da biodiversidade incluem muitos dos serviços produzidos pelos ecossistemas (como alimento e recursos genéticos), e as mudanças na biodiversidade podem influenciar todos os outros serviços que os ecossistemas prestam.

A uma escala global as espécies contribuem para a reciclagem de elementos essenciais à vida, tais como água, oxigénio e carbono; para a formação do solo entre outros serviços de suporte de vida na Terra. Este tipo de serviços constitui a base de todos os outros serviços de ecossistemas.

É verdade que apenas uma dúzia de espécies de animais foi alvo de domesticação, e são a fonte da proteína animal que hoje consumimos, e apenas 1% das plantas existentes são utilizadas na alimentação humana. Poder-se-á dizer então que estamos directamente dependentes de um reduzido número de espécies. Este facto reforça a necessidade de conservar a biodiversidade da “vida selvagem”. Porquê? A diversidade genética da biodiversidade é a resposta.

Todas as culturas agrícolas para alimentação, incluindo o milho, o trigo e a soja, dependem de novo material genético existente na natureza, para que as culturas se mantenham saudáveis e produtivas. Assim, agricultores e criadores dependem da diversidade genética das culturas e do gado, para aumentarem a produção e para ser possível responder a alterações das condições ambientais. Variedades resistentes encontradas na natureza podem ser utilizadas ou cruzadas com as variedades domésticas, para garantir maior resistência e produtividade. Por exemplo, em 1960 foi encontrado na natureza um "parente" do milho, resistente a 4 das 8 maiores doenças que o afectam nos EUA. Uma vez que este cereal é a matéria prima para a produção de uma grande variedade de substâncias, incluindo rações para os animais domésticos, a utilização desta variedade de milho permite manter baixos os preços dos produtos à base do cereal, quando as pragas atacam as culturas.

A redução da biodiversidade conduz a um decréscimo da variabilidade genética e, tal como uma pessoa doente fica mais sujeita a certas infecções, é necessário conservar a biodiversidade para assegurar a saúde dos serviços prestados pelos ecossistemas, entre os quais se destaca a alimentação da espécie humana. A nossa sobrevivência depende da variabilidade genética da biodiversidade!

quinta-feira, 22 de março de 2007

22 Março - Dia Mundial da Água


As Nações Unidas, através da resolução A/RES/47/193, de 22 de Dezembro de 1992, declararam o dia 22 de Março de cada ano como o Dia Mundial da Água. Este dia tem sido marcado, desde 1993, com várias iniciativas, nacionais e internacionais, com o intuito de sensibilizar o público em geral para a necessidade de conservar os recursos hídricos e para algumas questões em particular, também relacionadas com a água.

É acima de tudo uma oportunidade para reforçar a consciência da transcendente importância deste recurso para o nosso futuro colectivo.


(Fonte: Water, a shared responsability, ONU)

segunda-feira, 19 de março de 2007

Emissões de CO2, por país, em tempo real

A não perder…

…emissões de CO2 em cada país em tempo real !...


Vários estudos referem que estaremos sujeitos a, pelo menos, 50 anos de alterações climáticas. Não podendo evitá-las, temos de nos adaptar aos seus inevitáveis impactos. Esta adaptação está relacionada com a redução da vulnerabilidade dos sistemas humanos e naturais às alterações climáticas. Na conservação da biodiversidade, isto deve ser complementado com outras actividades que reduzam as pressões resultantes de, por exemplo, fragmentação de habitats, modificação do uso dos solos, colheitas em excesso, poluição, expansão urbana e invasões de espécies não indígenas. O “princípio da precaução” deve constituir um pressuposto chave neste contexto. As actividades que promovam a adaptação da biodiversidade às alterações climáticas podem, também, contribuir para a sua conservação, uso sustentável e gestão sustentável do solo.

A conservação da biodiversidade e a manutenção da estrutura e funções dos ecossistemas podem contribuir para as estratégias de adaptação ao clima através da manutenção da resistência dos mesmos, minimizando assim a sua vulnerabilidade às alterações climáticas.

No site http://www.breathingearth.net/ é possível acompanhar, em tempo real, as emissões de Co2 por país, assim como a sua natalidade e mortalidade.

domingo, 18 de março de 2007

"Ecosystem Approach ..."

Segundo o “Millenium Ecosystem Assessment (2005)” 15 dos 24 serviços dos ecossistemas avaliados estão em declínio, incluindo:

  • fornecimento de água potável;
  • produção de reservas de pesca nos mares;
  • número e qualidade dos locais com valor espiritual e religioso;
  • capacidade de auto-despoluição da atmosfera;
  • auto-regulação dos desastres naturais;
  • capacidade dos ecossistemas agrícolas assegurarem o controlo de pestes.


É preocupante constatar que:

  • A partir de 1945, mais terras foram convertidas para a agricultura que nos séculos XVIII e XIX juntos.
  • As alterações ao uso do solo, e em menor grau a sobreexploração, a poluição a as espécies invasoras, são as principais causas de perda de biodiversidade actualmente.
  • A taxa de extinção de espécies aumentou 50 a 1.000 vezes em comparação às taxas do registo fóssil.

  • Cerca de 60% dos serviços dos ecossistemas examinados estão a ser degradados, incluindo recursos pesqueiros, regulação do ciclo hídrico, protecção do solo e capacidade depuradora.
  • O valor económico total associado a uma gestão mais sustentável dos ecossistemas é geralmente maior que o valor associado à sua conversão para uso intensivo.

Mas então o que fazer? Qual a melhor estratégia?

De acordo com a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), deve-se optar pelo “Ecosystem Approach” que corresponde a uma estratégia para gestão integrada do território, da água e dos organismos vivos que promove a conservação e a utilização sustentável de um modo equitativo.

Esta abordagem permite cumprir os objectivos da CDB. Baseia-se na aplicação de metodologias científicas focadas nos níveis de organização biológica que compreende processos, funções e interacções entre os organismos e o seu ambiente.

Um factor muito importante: reconhece que as pessoas, com a sua diversidade cultural, são uma componente integral dos ecossistemas.

O “Ecossystem Approach” foi reconhecido em Joanesburgo (World Summit on Sustainable Development , 2002) como um importante instrumento para alcançar um desenvolvimento sustentável e o alívio da pobreza (CBD Decision VII-11). As pessoas e a biodiversidade dependem de ecossistemas saudáveis; estes têm que ser avaliados de modo integrado, acima de barreiras artificiais.


A abordagem aos ecossistemas deve ser participativa e requer perspectivas de longo prazo, baseadas em estudos de biodiversidade.

Considero então que é fundamental:

1. Redução da taxa de perda de biodiversidade, incluindo: (i) biomas, habitats e ecosistemas; (ii) espécies e populações; e (iii) diversidade genética;

2. Promoção do uso sustentável da biodiversidade;

3. Tratar as principais ameaças à biodiversidade, incluindo as que resultam de espécies invasoras, alterações climáticas, poluição e alterações de habitats;

4. Manutenção da integridade dos ecossistemas e fornecimento de bens e serviços assegurados pela biodiversidade dos ecossistemas, como apoio ao bem estar humano;

5. Protecção do conhecimento tradicional, inovações e práticas;

6. Assegurar uma justa e equitativa partilha de benefícios resultantes do uso de recursos genéticos; e

7. Mobilização de recursos técnicos e financeiros, especialmente em países em desenvolvimento, em particular em países mais desfavorecidos e pequenas ilhas, e países com economias de transição.