- metas ambiciosas de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) para os países industrializados;
- medidas dos grandes países emissores para limitar o aumento das suas emissões;
- ajuda financeira aos países em desenvolvimento, nomeadamente os mais vulneráveis.
A capacidade de recuperação das comunidades vivas, e o bem-estar da humanidade, dependem da manutenção de uma biosfera saudável em todos os seus sistemas ecológicos, uma enorme diversidade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou pôr em risco a nossa existência e a da diversidade da vida.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Conferência do clima em Barcelona: a última oportunidade?
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Adiar o futuro!...
É um passo importante. Mas será suficiente?
Habitamos hoje, quer como indivíduos, quer como membros das mais diversas comunidades políticas e culturais, um período particularmente perigoso e exigente da história humana.sábado, 13 de junho de 2009
A importância da avaliação em Educação Ambiental
É indiscutível a necessidade de instrumentos de avaliação do programa EE. São eles que permitem melhorar a qualidade, a relevância do que se faz e a relação custo-benefício das acções de EA (Batista, 1998).
Raposo (1997), na sequência do seu trabalho de coordenação no Instituto de Promoção Ambiental, detectou as seguintes fragilidades na implementação da EA:
· Actividades dispersas no tempo e no espaço, associadas, quase exclusivamente, a datas comemorativas;
· Definição de objectivos demasiado ambiciosos e/ou inadequados aos destinatários;
· Escolha de temáticas frequentemente submetida a interesses momentâneos e uma deficiente avaliação dos recursos disponíveis.
Como tal, a avaliação deve ser encarada como o complemento de qualquer inovação na promoção das actividades em EA (Giordan e Souchon, 1997). Ela permite ter o retorno mais completo sobre a prática. No entanto, nem sempre é simples avaliar o impacto real de uma acção educativa: as consequências podem ser de longo prazo ou podem incidir sobre comportamentos pouco discerníveis. De qualquer forma, após uma determinada acção os alunos devem estar de certa maneira diferentes. Se não encontramos neles nenhum indício de diferença, o menos que se pode dizer é que o projecto em causa falhou. Em diversos trabalhos publicados, apresentados ou informados na área da EA, percebemos uma tendência em considerar somente os bons resultados, frutos de uma trajectória que parece ter sido traçada linearmente, como se os obstáculos e as dificuldades sentidas no caminhar pudessem cegar o mérito da proposta. Isso tem aumentado o grau de dificuldade no fortalecimento da EA, que aparece como se fosse um campo fácil de ser estudado ou viabilizado (Sato, 2008).
Para Alves (1998) existe, habitualmente, uma certa confusão sobre as formas de avaliação, principalmente quando as actividades de EA são enquadradas no ensino formal. Por um lado, se a avaliação se fundamenta em relatórios ou inquéritos está a avaliar-se a quantidade e a qualidade do trabalho desenvolvido numa acção, ou a mudança de atitudes após a acção, ou mesmo a intenção de mudança de atitudes após a acção. Para este autor, o ideal, dificilmente atingível, seria poder avaliar se a intenção de mudança de atitudes foi efectivamente concretizada, ou se a atingida foi duradoura.
Raposo (1997) considera que não se deve apenas quantificar saberes adquiridos, mudanças de atitudes ou de comportamentos mas a “verdadeira grandeza” dos projectos, dos seus resultados específicos e da contribuição que ele pode dar, ou já deu, para a resolução do problema que o desencadeou. Para esta autora, acima de tudo, é o momento de tomar decisões, de fazer escolhas reflectidas e responsáveis, de passar das propostas às acções concretas, de estruturar intervenções e novos projectos motivados pela apreciação crítica das acções já realizadas.
Por outro lado, refere Raposo (1997), é importante desenvolver uma «retroacção permanente», ou seja, é necessário criar dinâmicas que permitam reformular e adaptar à realidade os objectivos e/ou os aspectos metodológicos para a sequência de aquisições de conhecimentos e atitudes. Corroborando, para Giordan e Souchon (1997), o retorno recebido através de processos de avaliação pode mesmo evitar a repetição de um dado disfuncionamento. Estes autores consideram que a “qualidade” de uma acção deveria poder ser posta em evidência globalmente e os seus componentes deveriam ser certificados, nomeadamente:
Seria o tema motivante e aglutinador?
- Seriam as actividades adequadas?
- Seria adequada a escolha de documentos, de audiovisuais, de material de investigação?
- Estariam os intervenientes à altura da sua tarefa?
- Teriam sido bem elaboradas a planificação e coordenação?
Mas, para além deste balanço o processo de avaliação deve permitir, ao mesmo tempo, ter como alvo as expectativas, os quadros de referência e os mecanismos de compreensão dos públicos que se deseja tocar. Levantam-se algumas questões de interesse, tais como: o que desejam conhecer; que saberes dominam; como raciocinam sobre o problema considerado e como apropriam o saber. Nesta linha de ideias, Alexandre e Diogo (1990) realçam que a avaliação de um projecto deve ser efectuada em termos de balanço do processo, apreciação do produto e propostas futuras de reformulação.
Neste contexto destacamos a conferência «Environmental Education and Training in Europe», organizada pela Comissão Europeia, em Maio de 1999, onde foi defendido que a EA não deve consistir na transmissão de conhecimentos, mas antes numa auto-aprendizagem (Vilarigues, 1999 in Martinho et al, 2003).
Como tal, a avaliação em EA deve permitir clarificar os objectivos e adaptá-los ao público-alvo das acções, e contribuir para a melhor escolha e análise das estratégias educativas a utilizar em cada projecto/actividade. É, por isso, um meio para promover a qualidade e, como tal, deve ser um processo participativo e formativo, isto é, deve ser concebido de modo a permitir que todos os actores participem nas suas principais etapas, trazendo a todos uma melhor compreensão da acção (Baptista, 1998).
Não obstante a sua importância, a avaliação é muitas vezes considerada como um assunto incómodo para certas pessoas e instituições (Nunes, 2002). Além disso, tal como realça Freitas (1997) não há em Portugal uma cultura de avaliação. Segundo INAMB (2000), a inexistência de avaliação dos projectos pode estar relacionada com a falta de familiaridade dos intervenientes com as técnicas das ciências sociais e humanas. Também, a troca de experiências, aspecto fundamental em EA, não tem sido plenamente conseguida. Isto pode estar relacionado com o facto de quando os projectos ou experiências são apresentados, raramente são referidos os problemas com que se depararam e como procuraram resolvê-los. A cultura do sucesso na qual vivemos provavelmente inibe a exposição destes aspectos, essenciais para a maturidade da EA.
A avaliação da qualidade constitui um desafio em EA e EDS. A consciência dos limites do nosso conhecimento, a imprevisibilidade e incerteza acerca do futuro, forçam-nos a avaliar o que fazemos hoje em dia. Por sua vez, actualmente, numa cultura da complexidade é necessária uma avaliação que tome em consideração esta complexidade, uma avaliação que vá além do mero conhecimento e que permita reflectir sobre o “valor” das acções.
A avaliação em EA não pode ser um processo neutro que se fique apenas pela análise dos resultados mas deve ser sobretudo um processo ideológico tendo em conta a actual crise ambiental, a crise dos valores e a necessidade de mudança (Mogensen e Mayer, 2005).
sábado, 11 de abril de 2009
Poluição no Rio Almonda
domingo, 5 de abril de 2009
Baixo Sabor, património único a preservar
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Liberalismo e ambiente ...
Considero que a perspectiva liberal relativamente às questões de ambiente pode ser observada de várias formas: por um lado para certos liberais o estado tem limites bem definidos, mas (deve) assegurar a realização de determinadas funções básicas, que protegem os membros da sociedade uns dos outros (ou de outras "ordens sociais"). Neste contexto é de destacar as funções ligadas à manutenção da defesa, da ordem pública interna e na regulamentação de um sistema de mercado baseado no princípio de posse de propriedades privadas.
Por outro lado, outra "visão" liberalista defende um papel mais benevolente do estado sobre a vida privada dos cidadãos de uma sociedade, de forma a assegurar que a sociedade progrida e a situação dos seus membros melhore com o tempo.
Independentemente das visões, constata-se que na maioria dos casos, em particular nas economias ocidentais, existe uma elevada dependência da “força” do trabalho e das trocas em larga escala. Por sua vez, sempre que se tenta “atacar” um problema ambiental a medida com a qual se baseiam todas as decisões é a dimensão em que certas alterações afectam os seres humanos. Na maioria dos casos, as medidas que tentam alterar o comportamento humano apenas moderam o problema, pois muitas das restrições à actividade humana propostas pelo “ecologismo” podem prejudicar os interesses dos próprios seres humanos.
Mas a sociedade hoje está diferente pelo que a perspectiva liberal sobre o ambiente também pode ser vista de uma forma diferente. Neste contexto destaco a “abordagem “custo-benefício” que cada vez mais faz parte da estratégia das empresas. Por exemplo: a criação do comércio de “licenças de poluição” permite às empresas que reduzem a produção de resíduos venderem as suas licenças a outras empresas que excedam os níveis autorizados. Desta forma, as empresas mais eficientes na utilização dos recursos e na introdução de sistemas de redução de resíduos e de controlo da poluição reduzem as despesas, enquanto que, as empresas que continuam a poluir têm custos mais elevados.
Este sistema ao nível da economia de mercado cria incentivos para que os vários intervenientes actuem de determinada formas.
Se tivermos em consideração a existência de uma “macrotendência ambiental” será que esta visão do liberalismo fornece algumas bases para a sustentabilidade?
Educação ambiental e democracia ...
Educar para a problemática ambiental, em todas as suas variadas vertentes, desde a recolha selectiva de materiais recicláveis ao controlo das actividades poluidoras, e passando pela adesão às diferentes infraestruturas, não é a mesma coisa que fazer publicidade. Não é convencer ou persuadir. Não é obrigar, nem forçar.
De certa forma, é o mesmo que ensinar/aprender a ler e a escrever. É dar/receber outros instrumentos e modelos de acção. É criar um outro cidadão, que pensa e age de outra maneira. A problemática ambiental tem esta componente especial: não basta que as pessoas saibam o que fazer, é preciso que façam.
A Educação Ambiental é um processo que visa formar uma população mundial consciente e preocupada com o Ambiente e com os seus problemas, uma população que tenha os conhecimentos, as competências, o estado de espírito, as motivações e o sentido de compromisso, que lhe permitam trabalhar individual e colectivamente na resolução das dificuldades actuais, e impedir que elas se apresentem de novo.
Um dos objectivos da educação ambiental é o de ajudar os indivíduos e os grupos sociais a desenvolver sentido de responsabilidade e sentimento de urgência, que garantam a tomada de medidas adequadas à resolução dos problemas do ambiente.
Em educação ambiental um dos instrumentos de trabalho mais importantes é o trabalho de projecto. O trabalho de projecto permite desenvolver o pensamento através de situações problemáticas, espelho de situações reais, que se tornam vias de abertura pedagógica a vários percursos e a várias soluções.
De referir que a abordagem prática do trabalho de projecto tem como principio um método de trabalho que requer o empenhamento de cada indivíduo, dentro do grupo, de acordo com as suas capacidades, com vista ao estudo de um problema e à procura de soluções para o mesmo. Proporciona situações em que é fundamental trocar opiniões para decidir o que fazer, facilitando deste modo a socialização, e, particularmente, a apropriação ou internalização, em sentido lato, de valores democráticos indispensáveis ao estilo ambiental de educação.
Neste contexto, parece-me que a educação ambiental desempenha um papel importante nas aprendizagens para a democracia. Por exemplo, na escolha do tema para uma acção/projecto de educação ambiental os alunos envolvem-se muitas vezes em discussões de temas polémicos. Desta forma, não só se destaca o potencial cognitivo de cada um, como é possível colocar os alunos em situações de troca de ideias (potenciando a comunicação oral e escrita), a escuta e leitura/análise critica, o respeito pelos outros. Durante a implementação das acções os alunos envolvem-se na preparação e na sua execução, exercendo uma verdadeira democracia participativa.
Deste modo, a educação ambiental não é apenas uma "forma" de educação (uma "educação para...") entre tantas outras; não é simplesmente uma "ferramenta" para a resolução de problemas ou de gestão do ambiente. Trata-se de uma dimensão essencial da educação que diz respeito a uma esfera de interacções que está na base do desenvolvimento pessoal e social: a da relação com o meio em que vivemos.
A educação ambiental pretende induzir dinâmicas sociais, de início na comunidade local e, posteriormente, em redes mais amplas de solidariedade, promovendo a abordagem colaborativa e crítica das realidades sócio-ambientais e uma compreensão autónoma e criativa dos problemas que se apresentam e das soluções possíveis para eles.
Que efeitos terão as macrotendências no Ambiente?
Neste sentido tentei identificar e reflectir um pouco sobre algumas destas relações:
- O crescimento económico tem gerado ao longo da história enormes prejuízos no ambiente;
O crescimento industrial como causa da poluição das águas e do ar.
A não contabilização dos custos da poluição nos cálculos dos custos de produção.
As consequências sobre o Ambiente de algumas formas de intervenção humana, como por exemplo: o contínuo desbravar de terras para a agricultura; a afectação de terras tradicionalmente agrícolas para usos urbanos/industriais; o esgotamento dos solos por culturas intensivas; a interferência da construção de barragens e das técnicas de impermeabilização dos solos no ciclo da água; a expansão urbanística tem gerado problemas graves ao nível do ordenamento do território assim como consequências ecológicas: efluentes, lixos, concentração de gases; etc.
- O esgotamento dos recursos conduz limite ao crescimento económico, de acordo com o modelo dominante (desde o início do século XX). São vários os processos que conduzem a este esgotamento: a procura de alimentos para uma população em constante crescimento e a consequente dizimação das espécies e esgotamento dos solos; a necessidade da gestão do crescimento demográfico tendo em atenção o nível dos recursos existentes; as consequências da degradação ambiental na viabilidade do desenvolvimento: esgotamento dos produtos primários e deterioração da capacidade de desenvolvimento dos países de origem desses produtos; os padrões de consumo dos países desenvolvidos com grandes exigências em gastos de matérias-primas não renováveis conduzem ao esgotamento desses recursos; por sua vez, emerge a procura de novos materiais para substituir os já esgotados com o consequente aumento da poluição.
Fonte: http://www.informaction.org/images/graph_popgrowth1.gif
- Hoje, é relativamente consensual a necessidade de se proceder a uma redefinição dos modelos de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável.
Tornou-se urgente a necessidade de repensar os modelos de desenvolvimento e progresso económico para todo o planeta e não só para certas áreas. A inter-relação entre ambiente-economia-sociedade é encarada como o factor chave para a sustentabilidade
Por sua vez, é de extrema importância encontrar formas de gestão dos «bens comuns» (Oceanos, Antártida, etc) que, sem porem em causa as soberanias nacionais, garantam a sua conservação.
As questões ecológicas devem assim constituir uma base de entendimento e de partilha entre países em vez de gerar tensão política pela disputa de certos recursos. Veja-se o exemplo do acordo para a redução ao buraco do ozono. Num curto período de tempo os esforços de vários países conduziram a um processo de inversão do problema, que se pensar vir a estar resolvido dentro de poucos anos.
Questão ambiental: Moda ou Macrotendência?
A degradação do ambiente, o esgotamento dos recursos, a redução da biodiversidade, são alguns dos graves problemas que se põem ao mundo actual com tal intensidade que levam muita gente a interrogar-se sobre o futuro do nosso planeta.
Foi na conferência de Estocolmo em 1972 que, pela primeira vez, foi dado o grande alerta à escala planetária sobre o fim suicidário a que estava a conduzir o crescimento exponencial da economia internacional. De então para cá a opinião pública mundial, os governos e os agentes económicos têm tomado cada vez mais consciência da crise ambiental que afecta o globo terrestre. Apesar de a conferência de Estocolmo ter assumido o direito das gerações futuras a usufruírem um ambiente saudável e equilibrado, nos últimos anos tem sido veloz o agravamento do estado crítico do ambiente. A questão põe-se com particular acuidade, porquanto já não se trata apenas de combater malefícios do crescimento. Hoje, é cada vez mais nítida a consciência de que o próprio desenvolvimento pode ser posto em causa pela crescente degradação ambiental.
Considero que, desde os anos 60 do século XX, com a crise ambiental que o paradigma ambiental começou a sofrer uma alteração. De uma forma geral começou a haver uma preocupação colectiva com os problemas ambientais, e o movimento associativo começou a ganhar força.
Aproveitando a ocasião, numa primeira fase, a questão ambiental talvez tenha sido encarada pela opinião pública como uma moda.
Hoje em dia, considero que a questão ambiental assume-se como uma macrotendência no sentido que lhe é atribuído por Naisbitt (Naisbitt, J. (1988), Macrotendências, Presença). Por um lado os problemas ambientais são problemas globais, afectam todo o planeta, por outro lado, as causas para esses problemas são transversais (e comuns) à maioria dos países.
Esta “macrotendência ambiental” pode ser analisada por vários elementos:
- O crescimento económico tem gerado ao longo da história enormes prejuízos no ambiente;
- O esgotamento dos recursos conduz limite ao crescimento económico, de acordo com o modelo dominante;
- Hoje, é relativamente consensual a necessidade de se proceder a uma redefinição dos modelos de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável. A urgência em encontrar formas de gestão dos «bens comuns» — Oceanos, Antártida, outros espaços — que, sem porem em causa as soberanias nacionais, garantam a sua conservação. Neste contexto destaco o papel das tecnologias no desenvolvimento das sociedades.
domingo, 24 de junho de 2007
O Mundo em mudança ...
Vivemos numa sociedade caracterizada por rápidas mudanças. Acho interessante a metáfora de Toffler (“A terceira vaga”, Livros do Brasil) quando considera que as grandes alterações registadas ao longo da história ocorreram de acordo com três ondas civilizacionais. Nesta perspectiva estamos hoje em plena 3ª vaga, dominada pelo desenvolvimento (e poder) da informação.
Diversidade e novidade são duas variáveis presentes no processo de mudança das sociedades. Na “era da informação” é interessante verificar que a diversidade e a novidade também atingiram os media, acrescentando novas dimensões às já existentes, graças à informática, às telecomunicações e à sua combinação com o avanço tecnológico no domínio do audio-visual. Esta alteração aumentou o ritmo da mudança e teve vários efeitos dos quais se destacam a criação de um tecido nervoso à escala mundial, por onde circula cada vez mais informação a um ritmo crescente; generalização dos self-media; e a emergência do multimedia, como resultante sinergética dos efeitos sistémicos dos media existentes.
Edgar Morin, em “As grandes questões do nosso tempo”, chamou de “nevoeiro informacional” ao conjunto de três filtros que nos impedem de visibilizar convenientemente a sociedade. Estes filtros são o excesso de informação (veja-se por exemplo o crescimento do número de livros, jornais, revistas nos últimos anos); a sub-informação a e pseudo-informação.
De facto, na actualidade e na sociedade de informação em que vivemos, constata-se que grande parte da informação que chega aos cidadãos é veiculada pelos media. As regras pelas quais estes se regem são também regras de competitividade comercial (como a publicidade ou as audiências), ou mesmo outras menos nobres de condução de massas. No entanto toda essa informação acaba por “passar” pelas mentes dos indivíduos. A capacidade de selecção da informação a reter não é igual para todos. Tenhamos também a consciência de que, da informação veiculada em catadupa por um qualquer órgão de imagem e som, só uma parte muito pequena fica retida. A única forma, então, de gerar uma efectiva mudança de atitudes será através de um processo duradouro, cuidado e adaptado às atitudes e aos comportamentos que se deseja incutir, bem como à população alvo.
O processo de aprendizagem deve ser preferencialmente orientado para os valores e não para os dogmas. Mas como fazer?
Por sua vez, considero que o tal “nevoeiro informacional”, nas suas 3 componentes, pode influenciar o debate e as acções sobre o ambiente, veja-se o caso das alterações climáticas:

As alterações climáticas são hoje em dia um dos principais problemas sociais do séc. XXI e, como tal, a maioria da população reconhece a existência dele e a necessidade de resolução. O Protocolo de Quioto é um bom instrumento a nível mundial para combater este problema. Um dos países que não assinou este acordo foi o EUA em boa parte devido aos fortes interesses da indústria do petróleo. As três componentes do tal “nevoeiro informacional” estão neste caso presentes: por um lado existe um excesso de informação sobre o assunto, o que pelo menos teve a vantagem de fazer com que uma maioria muito significativa da população reconheça este problema; mas por outro lado, são poucas as pessoas que sabem efectivamente o que fazer para o combater, ou do ponto de vista dos políticos/decisores muitas vezes não conhecem a realidade do seu próprio país. Em simultâneo existe muita informação falsa, por exemplo, há quem defenda que as alterações climáticas não passam de uma mera teoria de algumas “mentes”, tentando fazer passar a ideia que o consumo de petróleo/combustíveis fósseis não tem relação com o problema em causa.
Enfim, nos últimos anos, parece generalizada a ideia de que a Escola não formou adequadamente, em termos ambientais, os cidadãos que se encontram hoje em idade activa, sendo notória a necessidade de preparar as crianças e os jovens no sentido de um desenvolvimento sustentável.
Em certa medida, a sociedade portuguesa está numa situação em que é possível verificar a coexistência da 2ª e da 3ª vaga de Toffler. Por outras palavras, existe ainda uma parte considerável da população que tem uma posição de alguma arrogância do Homem perante a natureza, verifica-se que há uma elevada dependência das fontes energéticas fósseis e o poder, económico e político, é também muito centralizado. Em contrapartida, emerge na nossa sociedade uma ideia de evolução controlada e de respeito pela natureza. Mas, para além da coexistência destas duas vagas, verifica-se um elevado nível de “nevoeiro informacional”
O facto do processo de mudança ser caracterizado pela transitoriedade, novidade e diversidade vem reforçar o papel da educação ambiental como um meio propício à criação de oportunidades com vista a uma educação que desenvolva competências ambientais no que se refere aos actores do futuro. Como cidadãos, as crianças e os jovens devem aprender a tomar decisões relativas ao ambiente e a estar conscientes relativamente à tomada de certas decisões políticas que podem ter consequências ambientais. A educação ambiental pode ser desenvolvida através de actividades/experiências educativas que preparem as crianças e jovens para a vida, através da compreensão dos principais problemas do “mundo moderno”. Por sua vez, a educação ambiental deve ser uma educação de carácter permanente, geral, adaptada às mudanças que se produzem num mundo em rápida evolução.
Sendo a escola o lugar privilegiado das aprendizagens, onde se devem adquirir valores e promover atitudes e comportamentos “pró-ambientais”, torna-se urgente uma intervenção eficaz, ao nível da educação, que na perspectiva de desenvolvimento sustentável inverta a tendência actual, comprometedora da existência da própria espécie humana.
Mas, face a tudo isto os agentes no processo educativo devem assumir um papel interveniente, mas em que sentido? E como reagir perante a mediatização?
Uma forma interessante de promover educação ambiental num contexto de uma “sociedade em mudança” seria a de criar mecanismos que através da escola (em contexto do currículo formal ou do não formal) promovessem e/ou intensificassem a reflexão, a investigação e a inovação. Tenho ficado com a sensação que os alunos têm sido “treinados” para serem “máquinas de repetição” daquilo que a escola e os professores lhes mostram/ensinam, ficando pouca margem para a inovação, o que tem como natural consequência a fraca capacidade de se adaptarem a novas situações.

