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sábado, 11 de abril de 2009

Poluição no Rio Almonda

(Nascente do Rio Almonda, Serra Aire, 10/04/2004)

Há vinte anos o rio Almonda era um dos principais contribuintes para a poluição do rio Tejo, mas ainda hoje continua com vários focos de contaminação que prejudicam a qualidade da água.

A origem da poluição provém de descargas ilegais, excesso de nutrientes, de uma mal dimensionada ETAR em Riachos, uso de pesticidas na agricultura, entre outros problemas.

Este rio nasce na Serra de Aire, e no seu percurso de cerca de 30 quilómetros atravessa os municípios de Torres Novas e da Golegã onde desagua na margem direita do Tejo. E, desde logo junto à sua nascente que este rio encontra uma fábrica!!!

Entre outros problemas, esta situação tem efeitos nas espécies e na degradação da Reserva Natural do Paul do Boquilobo.
Para quando uma solução?

Ameaças ao Paúl do Boquilobo

O Paul é uma zona húmida, alagada em parte nos Invernos chuvosos, que constitui um museu vivo, um testemunho de paisagens e ecossistemas que outrora ocupavam vastas extensões nas lezírias do Tejo, e doutros rios de características semelhantes, mas que hoje em dia estão reduzidos em todo o mundo e principalmente na Europa a enclaves de pequena dimensão. A redução das zonas húmidas foi-se realizando ao longo dos últimos séculos pela drenagem e enxugo destas áreas com o objectivo de obter mais terrenos para a agricultura e por serem consideradas, até há poucas décadas, como zonas inóspitas e insalubres.

O Paúl foi e continua a ser alvo de graves ameaças. Durante anos a principal foi a poluição do rio Almonda e de outras valas que o atravessam. Embora esta se tenha atenuado pela entrada em funcionamento de algumas estações de tratamento de águas residuais, o problema persiste e agudiza-se de tempos a tempos. Também a intensificação agrícola, o abuso de adubos e pesticidas e a utilização de alguns terrenos para pastagem de gado bovino, constituem um problemas desta zona húmida.
É urgente fazer alguma coisa para proteger tão importante património natural!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Poluição do rio Alviela, uma longa história ...

São várias as notícias que relatam situações graves de poluição no rio Alviela: “Mega-descarga mata peixes no Rio Alviela” – Sol, 12 de Janeiro de 2007; Nova descarga de químicos no rio Alviela mata centenas de peixes. Poluição causada pela Etar de Alcanena” – Agência Lusa, 12 de Fevereiro de 2006; Dezenas de peixes mortos no Alviela”. Diário de Notícias, 26 de Julho de 2004.

As causas para a poluição do Alviela estão bem identificadas e são as indústrias de curtumes da região e o mau funcionamento da ETAR de Alcanena, para onde são lançados os efluentes das indústrias de curtumes. Esta situação tem vindo a arrastar-se há vários anos.

De referir que a indústria dos curtumes é uma das mais antigas e tradicionais do País. Uma parte significativa da sua produção destina-se à indústria do calçado. Segundo dados do Instituto dos Resíduos cerca de 75% das empresas de curtumes com actividade de fabrico situam-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, mais propriamente em Alcanena. Existem actualmente cerca de 70 empresas de curtumes a funcionar na região.

É interessante verificar que já em 1957, foi criada a CLAPA, Comissão de Luta Anti Poluição do Alviela, sendo legalizada em 1976.


Mais curioso é verificar que em 30/5/1730 a Câmara de Torres Novas publica uma postura em que proíbe a lavagem dos coiros na fonte de Vila Moreira. Este é o primeiro documento anti-poluição publicado na zona, e significa, além do mais, que a actividade de lavagem era importante. Se o não fosse, certamente a Câmara não lhe daria importância. Está publicada em “O Alviela” a queixa de um industrial de Vila Moreira dirigida à rainha D. Maria I por ter sido multado por falta de cumprimento desta portaria.

Como se constata a situação demora em ser resolvida. O sistema de saneamento, que foi construído e entrou em funcionamento durante a década de 90, parecia resolver o problema, mas a estação de tratamento de águas residuais deixou de trabalhar em condições há vários anos. Desde então, passou a verificar-se uma cor escura no rio e a registar-se, com frequência, o aparecimento de muitos peixes mortos.

Mais uma vez, em 11 de Janeiro do presente ano, foi possível voltar a assistir a uma descarga de grandes dimensões devido a uma avaria eléctrica de cerca de 12 horas e que causou uma elevada poluição no rio e a mortandade de centenas de peixes. Nesse dia, numa notícia da Lusa, Firmino Oliveira, presidente da Junta de Freguesia de Vaqueiros e membro da Comissão Mista de Luta Anti-Poluição do Alviela, afirmava "…Nós, que vivemos nas zonas ribeirinhas, estamos mais uma vez a sofrer sem culpa nenhuma". A água revelava uma cor escura, cheiro fétido e manchas de espuma à superfície. Este autarca equipara esta situação aos piores tempos de poluição e diz mesmo que se regrediu 30 anos. À reportagem de “”O Ribatejo”, Firmino Oliveira, mostrou lamas retiradas do leito do rio em que diz haver acumulação de metais perigosos e que exalam um cheiro pestilento. Explicou ainda que a Comissão Mista para a Despoluição do Alviela se encontra inactiva devido à incapacidade de reunir as partes envolvidas. foi entregue uma petição na Assembleia da República e nem sequer foi agendada”. O cenário é de sucessivas descargas, tornando este problema crónico.

Fonte: http://www.youngreporters.org/article-imprim.php3?id_article=1871

Mas, para quando a resolução deste problema ambiental?

Todos sabemos que a água é um bem precioso indispensável à vida. Nesta caso, é importante realçar que a nascente dos Olhos de Água do Alviela, que tem uma bacia de alimentação estimada em 180 km2, constituiu uma das principais origens de abastecimento de água à cidade de Lisboa. Em 1880 foi construído um aqueduto com cerca de 120 km de extensão que permitiu o transporte diário máximo de 70.000 m3 desde esta nascente até à capital, aos quais se juntavam 30.000 m3 da Ota e 60.000 m3 de Alenquer.

A água está actualmente no centro de uma crise sem precedentes que tem por principais factores o aumento da população, a poluição, a insuficiente gestão dos recursos hídricos, alterações climáticas, entre outros factores. Mas também como é sublinhado no Relatório Mundial sobre a Água, sobre a escassez da água no mundo, esta crise deve-se também à inércia política e à falta de uma tomada de consciência das populações.

O problema da poluição do Alviela arrasta-se há muitos anos, até quando vamos ficar à espera …