sábado, 3 de março de 2007

Mão invisível ...


A história da Vida na Terra é uma história de extinções.

Periodicamente muitas das espécies que habitam no planeta desaparecem. Mas, se as gigantescas extinções do passado foram processos naturais e, não obstante a sua magnitude, a diversidade biológica sempre recuperou, então por que razão devemos preocupar-nos com a perda actual?

A resposta é simples: o Homem…

Sem dúvida que as extinções em massa do passado tiveram em comum uma origem física, abiótica ou extraterrestre, i.e., alterações globais e súbitas do clima, intensa actividade vulcânica e múltiplas colisões de meteoros. Pelo contrário, o processo actual tem a sua origem fortemente associada à acção de uma só espécie animal - o Homem -, em particular devido a actividades por ele exercidas como (1) as modificações praticadas nas paisagens, (2) a exploração excessiva de recursos biológicos, (3) a poluição e (4) a introdução de espécies exóticas.

Para Darwin só os mais aptos conseguem sobreviver ás mudanças, alimentando assim o processo evolutivo. Claro está que para isto ser possível é fundamental a existência de diversidade inter e intra-específica. Só assim é possível compreender o ritmo de extinções em massa e posterior recuperação da diversidade biológica.

Mas, tendo em conta o ritmo de crescimento da espécie humana e a consequente exploração de recursos naturais não estará o destino já definido?

Vejamos, atingimos o primeiro milhar de milhão de habitantes em 1830. Hoje somos mais de 6 mil milhões. É fácil compreender que alimentar e assegurar a subsistência de todos implica consequências, potencialmente irreversíveis, para o planeta.

Considerando que a população humana continua a aumentar, estimando-se que possa atingir em 2050 o aterrador número de 9 biliões de efectivos, o quadro de referência que se adivinha para os próximos anos não se afigura animador.

As projecções mais moderadas das Nações Unidas para o crescimento da população mundial e do consumo mostram que a humanidade irá necessitar do dobro da bioprodutividade do planeta Terra em 2050. No entanto, atingir esse nível de consumo pode ser impossível, dado que o capital natural a ser utilizado para permitir esse excedente pode bem ficar esgotado antes dos meados do século.

A biodiversidade sofre sempre que a produtividade da biosfera não consegue acompanhar o consumo humano e a produção de resíduos.

Dar o passo para a sustentabilidade depende de uma acção significativa já! O volume da população altera-se lentamente e o capital construído pela humanidade – casas, carros, estradas, fábricas, centrais eléctricas, etc., pode durar muitas décadas. Torna-se claro que as decisões políticas e de investimento tomadas hoje irão continuar a determinar a nossa exigência em matéria de recursos ao longo da maior parte do século XXI.

Num artigo de opinião de João Caraça, publicado no jornal de Letras de Janeiro de 2002, o autor cita Adam Smith e uma célebre expressão “mão invisível”, introduzida em 1776. É altura para dar uma ajuda à mão invisível biológica que faz pulsar a nossa espécie…

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