sexta-feira, 30 de março de 2007

A Mata de Albergaria, uma importante reserva biogenética da Europa

(PNPG, Prado Amarelo. Foto JG)

Criado em 1971, o Parque Nacional da Peneda-Gerês localiza-se no Alto Noroeste de Portugal, com uma área que se alonga em ferradura por cerca de 72000 hectares. Na sua área engloba territórios dos concelhos de Melgaço, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre.

O nosso único Parque Nacional localiza-se na zona de fronteira das regiões biogeográficas eurosiberiana e mediterrânica. Este facto determina que espécies da flora mediterrânica como, por exemplo, o sobreiro (Quercus suber), o medronheiro (Arbutus unedo), o loureiro (Laurus nobilis) e a gilbardeira (Ruscus aculeatus), testemunhos de migrações ocorridas em tempos passados mais quentes do que os actuais, coabitem com espécies eurosiberianas como o carvalho-alvarinho (Quercus robur), teixo (Taxus baccata), padreiro (Acer pseudoplatanus), azevinho (Ilex aquifolium) e aveleira (Corylus avellana).

(PNPG, Mata de Albergaria. Foto JG)

A cobertura vegetal do PNPG encerra espécies de elevado valor florístico, quer pelo seu estatuto de conservação, quer pelo seu estatuto biogeográfico, nomeadamente espécies endémicas, lusitânicas e ibéricas, e espécies raras ou ameaçadas da nossa flora, como, por exemplo, o feto-do-gerês (Woodwardia radicans), o narciso-trombeta (Narcissus pseudonarcissus subsp. nobilis), o lírio-do-gerês (Iris boissieri) e a arméria (Armeria humilis subsp. humilis). Toda a sua biodiversidade constitui um património natural, biológico e genético de um valor incalculável que deve ser transmitido às gerações vindouras.

Um dos elementos de maior destaque é a Mata de Albergaria, um dos mais importantes bosques desta parque nacional. É constituída predominantemente por um carvalhal secular, dominado pelo carvalho-alvarinho (Quercus robur), que inclui espécies da fauna e flora geresiana. Guarda também um troço da Via Romana (Geira) com as ruínas das suas pontes e um significativo conjunto de marcos miliários.

(PNPG, Marcos miliários . Foto JG)

A baixa presença humana nesta mata não rompeu, até há poucos anos, o frágil equilíbrio do seu ecossistema, cuja riqueza e variedade contribuíram para a sua classificação pelo Conselho da Europa, como uma das Reservas Biogenéticas do Continente Europeu. É também, nos termos do Plano de Ordenamento do Parque, classificada como Zona de Protecção Parcial da Área de Ambiente Natural.
Nos últimos anos o peso humano tornou-se excessivo, em particular nos meses de Verão, e a regeneração dos componentes naturais passou a fazer-se mais lentamente. De certa forma são já visíveis alguns efeitos nocivos desta pressão.


(PNPG, Mata de Albergaria. Foto JG)

Para além da pressão humana, outros factores estão a por em risco o património natural do PNPG, entre os quais são de destacar: o fogo; o sobrepastoreio, praticado pelo gado caprino, o qual compromete a regeneração de algumas espécies de vegetação autóctone; a prática de desportos aquáticos motorizados nas albufeiras abrangidas pelo Parque.

A Mata de Albergaria é sem dúvida um dos tesouros naturais de Portugal.

3 comentários:

roliveira disse...

De facto, esta Mata, é ambientalmente muito importante no panorama nacional. Como tal dever-se-ia tentar promover um turismo mais sustentado de modo a permitir usufruir de uma das zonas mais belas de Portugal e ao mesmo tempo conservar este espaço de uma forma mais eficiente.
Deve-se também notar que este espaço protegido é como que uma ilha no meio de plantações monoespecíficas de pinheiros ou eucaliptos que preenchem a região centro e norte do nosso país.
É este exemplo de biodiversidade que deveria ser promovido noutras regiões, de modo a evitar o flagelo do nosso Verão: o fogo!

Maria Helena Ribeiro disse...

Conheço bem o local que é de facto uma maravilha da natureza e um dos tesouros naturais de Portugal.
Visitei o local, pela primeira vez há 35 anos, percorrendo todo o Gerês. Já voltei várias vezes mas últimamente não gostei da chegada da "civilização" às termas do Gerês. De facto, a promoção de um turismo sustentado é fundamental para perservar e permitir que todos possamos usufruir plenamente dos vários locais paradisíacos que a Serra do Gerês encerra.

José Moreira disse...

Conheço a Mata de Albergaria e outras zonas fantásticas desse extraordinário Gerês.A natureza exalta-se nos diversos quadros naturais que oferece ao visitante.
Todo o empenhamento de todas as pessoas, especialmente das pessoas políticas, deve ser o lema incontornável da salvaguarda daquele pedaço de mundo extraordinário.
José Moreira - Braga